

Por Sergio Lima.
Minha vida como atleta começou na minha belíssima cidade de Campos dos Goytacazes, onde iniciei nos infantis do Americano Futebol Clube, e passei por todas as categorias, até ser campeão também entre os profissionais, em 1969, quando fui transferido para o América.
Com muito pesar, soube que a bela concentração do América FC no Km 18, da Rio-Petrópolis, foi arrematado em leilão, devido a altas dívidas do clube e hoje está abandonada. Neste texto, acabo voltando no tempo, e trazendo lembranças que marcaram o início da minha vida como atleta profissional de futebol, defendendo o América do Rio de Janeiro.
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Você lembra? Quando foi a primeira vez que você foi escolhido para passar dois dias naquele lugar? Quantos sonhos foram sonhados e se tornaram realidade ali? Caramba. Quanta felicidade isso me proporcionou! Eu quase não dormia, pensando e esperando o café da manhã.

Aldeci, Edu, Paulo Cesar “Puruca”, e Badeco.

Tadeu, Rosan, Jerê (Jeremias o Bom)
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Como era fascinante ver a Tia Vina, funcionária-mor da nossa cozinha, um espetáculo de pessoa, sempre solícita, amável e querida, fazendo o papel da minha mãe pelos dois dias encantadores que ficávamos na concentração, pensando e sonhando com o dia da verdade: o dia do jogo.

Foto 1- Bruno (Goleiro) Sergio Petropolis (Zagueiro), Jerê (Jeremias o Bom) e Tiniinho.
Foto 2 – Paulinho Capenga, Gilson Miudinho, Wilians, Ernesto, Jorge Cuica, Nelinho, Jeremias, Bruno, Rui, Jorge Cavalo Marinho.

Saíamos daquele local para entrar no antigo, mas super confortável ônibus do América, conduzido pelo ótimo e genial motorista Pegado. Tempos depois, nos deram o ônibus novo, tendo ao volante o tranquilo, engraçado e excelente Tonhão.

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Você lembra disso? Você lembra da concentração no Km 18 da Rio-Petrópolis? Lembra das nossas brincadeiras e armações? Dos jogos de sinuca e cartas? Do Mareco provocando o Badeco? Renato incomodando Tarcísio e Cuíca? Badeco, Paulo Cesar “Puruca”, Edu e Aldeci, que ficavam estudando e se preparando para as provas na universidade? Na sequência, sempre curtiam um bom livro. Quem lembra?

Paulo Cesar “Puruca”, Edu, Salvador com um livro nas mãos e Jeremias (O bom).

Foto de uma das nossas viagens – Cabrita, Mauro, Ivo, Paulo Maurício, (Paulo C. Puruca?), Vanderley.
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E os prêmios dos bingos? Alex o “Kid” e Djair tinham a maior sorte! E o Sarão não ficava atrás. Você lembra do Miguel Banana, Alvanir, Álvaro Mudinho, Buttice, Jonas “Cara de Cobra” que gostava de uma bagunça, Nonato, Elinho, Paulinho Garcia, Paulo Cesar “Capenga” Suquinha, Serjão (Lateral), País, Expedito (Dito) Zé Carlos Geraldo, Ivair, Bira, Vanderley “goleiro”, Vanderley “Siri”, Cabrita, Salvador, Paraguaio, Alberto “Goleiro”, Reis, Flexa, Paulo Maurício que ficavam no sapatinho, mas eram espertos?

E o Serjão lateral, extremamente necessário no grupo, pois com ele não existia tristeza? Lembra? E o Antônio Carlos “Cabeça”? Lembra de quem era o trapaceiro no jogo de cacheta, no baralho? O Mauro eu sei que ganhava de todos na sinuca.

Alberto, Paulo Mauricio e Mauro.
E o jogo de cartas para passar o tempo? E as procuras pelo Tião? E o dorminhoco e cínico Tereso? E o Luizinho, Caio Cambalhota, gente do bem, sempre rindo e participativo nas resenhas? E o meu violão?
E os planos do meu amigo e irmão Gilmar, que me levou para o América, que jogava muito e, nesses dias, já ia avisando ao Naúba para preparar nossa ida a Pau Grande depois do jogo? E o Mauro, sempre atento para saber a escalação do adversário e estudar como neutralizá-los?

Foto (1) Cabrita, Alex, Tião, Avanir, Gilmar e Alberto – Abaixo – Antonio Carlos “Cabeça”, Paquito, Sergio Lima, Edu e Tadeu.
Foto (2) Jonas, Alex, Paulo Cesar “Puruca”, Tadeu, Aldeci, e Zé Carlos – Abaixo – Mario, Badeco, Antunes, Edu, Sarão – Bira “Massagista”.
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O trajeto para o Maracanã era marcante. Vínhamos pela Rio-Petrópolis e pegávamos a Avenida Brasil. Ao ver o nosso ônibus passar, as pessoas gritavam. Ao chegar ao bairro de Bonsucesso, ainda na Avenida Brasil, em uma das esquinas, havia um posto de gasolina onde trabalhava meu irmão mais velho, José Armando Lima. Ele avistava o ônibus, caminhava até a beira da calçada e, com os dois braços erguidos, dava adeus para mim, pois sabia que eu o estava vendo.
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Meu irmãoJosé Armando Lima
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Na sequência, a Estação da Leopoldina. Ao passar em frente à Leopoldina, as lembranças eram inevitáveis, pois anos atrás, nas férias, toda minha família saía de Campos dos Goytacazes, minha terra natal, de trem, para visitar nossos familiares que moravam no Engenho Novo. Pegávamos um ônibus mais adiante, no ponto onde depois se tornou o lugar dos circos.

Fonte foto – Estação da Leopoldina https://pt.wikipedia.org/wiki/Estrada_de_Ferro_Leopoldina#/media/Ficheiro:Ef_leopoldina.JPG
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Logo depois, a Praça da Bandeira. Ao percorrer os últimos três quilômetros para chegar ao maior e melhor estádio do mundo — o meu, o nosso Maracanã — a apreensão tomava conta de mim. Um nervosismo natural, uma preparação psicológica para o jogo, o medo de errar, mas também a confiança na vitória, independentemente de quem fosse o adversário. Nosso time era unido, forte.

Fonte Foto https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Mastro_da_Bandeira_da_Pra%C3%A7a_da_Bandeira_-_Rio_de_Janeiro_-_20230926065252.jpg
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Pronto. Parada no portão 18. Abre-se a porta do ônibus. Seja com Tonhão ou Pegado, meus convidados estavam lá: Tadeu, meu irmão, e meus grandes amigos Flávio Miranda, e Natal irmãos de Roberto Ribeiro. Entravam juntos, e o ônibus andava uns 30 metros — creio eu — até nos deixar no caminho para a entrada dos vestiários.

“O grande amigo Sarão marcando presença, imponente, na frente do ônibus novo na chegada ao Maracanã… enquanto, de canto, só aparece o cotovelo do Tonhão, já tirando aquela onda com a novidade.”
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Muitas vezes, íamos direto para o Setor 4 para assistir ao jogo preliminar, sentir e observar o panorama pré-jogo. Depois, descíamos para nos preparar e, então, pisar no gramado e demonstrar que valeu a pena fazer tudo aquilo com grande amor, para realizar o sonho da minha vida: jogar futebol profissional e defender o nosso América do Rio, desde os juvenis.
Que lembranças inesquecíveis marcaram a minha vida! Foram experiências que vivi nesse lugar memorável, no eterno casarão carinhosamente chamado de Km 18 da Rio-Petrópolis, concentração do nosso América Futebol Clube.

Infelizmente, o imóvel que fazia parte da história do clube, foi arrematado em leilão, devido a altas dívidas. O clube, através de seu atual presidente, o nosso eterno e ex-craque Romário, tenta reavê-lo na justiça.
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Por Sergio Lima
Apoio de Claudio Teixeira



































