

Por Sergio Lima.
Aí, rapaziada do futebol,
Às vezes, a gente não sabe — e não mede — o alcance e a imensa importância que o futebol tem na nossa vida. Ele despertou sonhos, nos fez sobreviver e viver intensamente momentos indescritíveis, além de outros que ficaram marcados na nossa alma de boleiros, de jogadores (atletas profissionais de futebol).
Quantas coisas boas… e algumas ruins também. Mas, somando tudo, posso dizer que foi maravilhoso, esplendoroso, ter sido jogador de futebol. Agradeço a Deus por todos os momentos vividos, dentro e fora de campo, pelos amigos que fiz e pelos inimigos que nem lembro. Houve alguns impasses, normais na vida de quem quer vencer — e só consegue quem tem fé em Deus, acredita no que faz, respeita os demais, mas não convive com o temor ou com o medo.

Sidney, Mauro, Alexandre Bueno, Amaral, Edson, Bezerra, Amilton Rocha, Renato, Sergio Lima, Davi, e Ziza.
Hoje fui visitar um grande amigo, mas, por um imprevisto, não foi possível encontrá-lo. Como eu estava nas imediações do Estádio Brinco de Ouro da Princesa, casa do Guarani Futebol Clube — equipe na qual tive o orgulho de jogar — resolvi matar a saudade.
Quando cheguei, lembrei que, no início de 1975, vivi na concentração que existia para acomodar os jogadores que vinham de fora da cidade e também as jovens promessas da base do clube.

Ao chegar ao portão, apresentei minha credencial do clube, recebida por meio do nosso grupo de ex-atletas. Fui muito bem recebido. Pediram que eu fosse até a secretaria falar com a Sra. Maria — e assim fiz. Ela, muito atenciosa, pediu que eu aguardasse o treinamento do time, pois alguém iria me acompanhar até o campo, já que eu disse que tinha um compromisso pessoal ali dentro.

Sergio Lima
Perguntei se poderia fazer um tour sozinho pela parte externa do estádio, pela área social, até o funcionário chegar. Ela autorizou. Fui devagar, apreciando tudo: as obras em andamento, os espaços de convivência, lanchonetes, piscina, campos, quadras de vários esportes… tudo lindo. Dei a volta no estádio, emocionado — e as fotos comprovam isso.
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Voltei, e o gentil senhor já me esperava. Nos apresentamos e seguimos em direção ao campo. O coração batia forte… parecia dia de jogo, no túnel, antes de pisar no gramado.
Ele ia na frente, eu atrás, bem devagar. Primeiro, fomos para a arquibancada do lado esquerdo do gol — aquele voltado para a casa do meu amigo Pedro Pires de Toledo e para a social, de costas para a casa do seu Zé Duarte. Duas figuras marcantes na minha vida no Bugre.
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Quando subi o primeiro degrau e vi o campo, me emocionei. Parei por alguns minutos. Olhei para o gol — a trave, a baliza — e parei naquele muro que separa o campo da arquibancada. Foi ali que, há 51 anos, comemorei como um louco o gol que fiz contra o Palmeiras. Lembro que cheguei pertinho da galera: vencemos por 3 a 1. O Boi (Bezerra), nosso excelente lateral, fez dois gols — um de falta e outro de pênalti — e eu marquei o terceiro, aproveitando o rebote do Leão após uma cobrança de falta. Cheguei com tudo e, de canhota, guardei.

Joãozinho, Sidney, Amaral, Flamarion, Oldair, Claudinho – Ziza, Davi, Sergio Lima, Alexandre Bueno, e Mingo.
E lá estava eu de novo… no mesmo lugar. Mas agora do lado de fora, no silêncio ensurdecedor de uma manhã de abril de 2026.
Enxuguei as lágrimas e me desculpei com o senhor que me acompanhava. Fiquei alguns minutos ali, relembrando também o gol contra o América do Rio, em 1975, pelo Campeonato Brasileiro — empate em 1 a 1. O goleiro deu rebote, e eu entrei voando, praticamente em cima da linha, chutando com força, bola e tudo para dentro do gol.
Seguimos então para o campo. A emoção foi enorme. Parecia que eu estava novamente no fim do túnel, prestes a pisar no gramado. Olhei ao redor… o estádio parecia imenso — mas a emoção me levou de volta a tempos inesquecíveis, que não voltam mais.
Ali estava eu, em 2026, no meu Brinco de Ouro da Princesa.
Ao pisar na grama, perguntei em silêncio: “Você lembra de mim?”
Ela respondeu… amassada, deixando a marca do meu sapato ao passar. Eu entendi.
Fui até o gol, abracei um dos postes, depois o outro. Passei as mãos pela rede, de ponta a ponta. Ela se enrolou nos meus dedos… e respondeu que sim.

Ali eu chorei. Fiquei alguns minutos.
Depois, caminhei até o meio do campo. Parei. Olhei para a arquibancada social, depois para o outro lado, e perguntei novamente: “Vocês lembram de mim?”
Continuei andando… e vi a sola do meu sapato ficando esbranquiçada, marcada pela grama. Ali estava a resposta.
Agradeci.
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Segui então para o outro gol, do lado da piscina, perto da Rodovia Dom Pedro — por onde eu saía voando de carro após os jogos, rumo ao Rio. Antes de chegar, parei no bico da pequena área, do lado direito. Foi exatamente dali que fiz o gol de empate contra a Portuguesa: 2 a 2. Entrei na área, quase sem ângulo, e finalizei na cara do goleiro.
Dentro do gol, abracei novamente o poste e a rede. Muito emocionado, perguntei: “Vocês lembram de mim?”
E, naquele momento, ouvi vozes… não sei de onde. Gritos, sons, como aplausos.
Saí dali. O senhor que me acompanhava perguntou, com gentileza, se estava tudo bem. Vi que ele explicava a outro funcionário quem eu era.
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OBS: Nesse gol, eu estava sem ângulo, mas, naquela época, ou fazia gol ou não tinha aumento na hora de assinar um novo contrato. Esse negócio de assistência não ajudava em nada — era gol. Realmente, estavam entrando dois companheiros pelo meio, mas artilheiro não podia ficar passando a bola estando de frente para o gol. Eu chutei na cara dele e, graças a Deus, a bola entrou. Meu amigo Milton Neves estava sem óculos e achou que eu estava em posição irregular, mas não tinha VAR — e eu fui para a galera.
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Fonte foto – Eciclopedia livre.
Deixei o Brinco com a alma lavada.
Liguei para o meu amigo campeão brasileiro de 1978, Paulo Borges, e perguntei se ele estava disponível. Ele disse: “Caramba, Sérgio! Estou em São Paulo.” Eu respondi que estava tudo bem — eu já estava feliz, leve.
Liguei para minha esposa e perguntei que horas ela sairia do trabalho. “Às 4 da tarde”, ela disse. Olhei o relógio: meio-dia.
Pensei: “E agora, para onde vou?”
Ali, parado em frente ao estádio, vi uma ciclovia. Pensei: “Para a esquerda só tem a casa do Pedro… para a direita deve ter algum lugar para tomar uma água e acalmar a emoção.”

Fui caminhando…pensando, curtindo a manhã, (vi e respeitei a placa) atravesei e fui para o lugar correto
De repente: bum, bum, bum… vi um viaduto com a palavra “CATEDRAL”. Pensei: “Ué, queria ir à catedral… mas cheguei tão rápido assim?”
Cheguei mais perto… e era a Catedral do Chopp.

Rapaz… entrei. Fiquei lá um bom tempo. Eu e Deus.
Eu estava na minha própria companhia — e Deus ali comigo, iluminando o meu dia, no meu Brinco de Ouro da Princesa.
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Por Sergio Lima.
































Depois dessa brilhante e histórica exposição do Brinco de Ouro, associada recheada de registros bastante relevantes, só temos que lhe agradecer por nos permitir revives momentos inesquecíveis de nossas vidas !
Parabéns e obrigado meu grande amigo !