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O Touro, a Garra e os Torcedores que não estão à venda

Por Osvaldo Tetaze Maia
Torcemos contra a Argentina no futebol. Sempre!
E a recíproca dos argentinos é absolutamente verdadeira.
Faz parte de uma das rivalidades esportivas mais antigas e mais intensas do planeta. Não importa se é Copa América, Eliminatórias, amistoso de bairro ou final de Copa do Mundo. Brasileiro torce contra a Argentina. Argentino torce contra o Brasil.
E está tudo certo.
Todavia, como brasileiro, e tendo a felicidade de possuir inúmeros amigos argentinos — na Argentina, aqui no Brasil e espalhados por vários países onde estive — tenho que reconhecer uma realidade que nem sempre gostamos de admitir.
Com essa impressionante garra competitiva, aliada a um futebol tecnicamente refinado, eles se tornaram praticamente imbatíveis desde o Mundial do Qatar.
E agora, às vésperas da final da Copa do Mundo de 2026, ainda temos que nos render ao maior gênio da história do futebol argentino.
Lionel Messi.
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Sim, eu sei.
Só essa frase já deve render algumas centenas de “pedradas”.
Principalmente dos próprios argentinos.
Porque, para muitos deles, Diego Armando Maradona continuará sendo eterno e insubstituível.
Essa discussão jamais terminará.
Talvez nem deva.
Mas o fato é que Messi conseguiu algo extremamente raro no esporte: venceu praticamente tudo o que um jogador poderia vencer e, ao mesmo tempo, conseguiu transformar uma geração inteira em uma equipe que aprendeu a ganhar.
Não apenas jogar.
Ganhar. E com 39 anos nesse mundial!!
Agora sou Espanha no domingo.
Acho que todos os brasileiros também.
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Imagem ilustrativa criada com Inteligência Artificial (ChatGPT/OpenAI).
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Espero apenas não voltar a ser, outra vez, um “torcedor solitário do touro”.
Essa expressão me acompanha desde a única tourada que assisti na Espanha.
Enquanto milhares de pessoas vibravam com o espetáculo, eu só conseguia torcer para o touro.
Sabia, porém, que sua morte era praticamente inevitável.
Na arena, o destino do touro quase sempre já está escrito antes mesmo da abertura dos portões.
Domingo espero que seja diferente.
Espero que a Espanha consiga mudar essa sina do touro.
Mesmo sabendo que, do outro lado da arena, estará talvez a equipe mais difícil de ser derrotada dos últimos anos.
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Imagem ilustrativa criada com Inteligência Artificial (ChatGPT/OpenAI).
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Sempre escrevi que o futebol talvez seja o maior laboratório da idiossincrasia humana.
Cada povo joga futebol exatamente como vive.
Os ingleses inventaram o jogo.
Os italianos transformaram a defesa em arte.
Os alemães fizeram do planejamento uma filosofia.
Os brasileiros ensinaram ao mundo que improvisar também pode ser genial.
E os argentinos…
Os argentinos conseguiram reunir três características extremamente difíceis de coexistirem.
A técnica.
A garra.
E uma identificação quase visceral entre seleção, torcida e país.
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Imagem ilustrativa criada com Inteligência Artificial (ChatGPT/OpenAI).
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Não é raro assistir a um argentino perder um jogo e sair destruído emocionalmente.
Da mesma forma que também não é raro vê-lo comemorar uma vitória como se tivesse conquistado algo muito maior do que apenas um título.
Porque, para eles, muitas vezes conquistou.
Conquistou um pedaço da própria identidade nacional.
Há alguns anos escrevi uma crônica intitulada
“True Fans are not for Sale” (Os verdadeiros torcedores não está à venda),
inspirada naquela inesquecível campanha da Bundesliga em que torcedores alemães recusavam centenas de milhares de euros para trocar de clube.
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Imagem ilustrativa criada com Inteligência Artificial (ChatGPT/OpenAI).
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Na época concluí que existem paixões que o dinheiro simplesmente não compra.
A lealdade de um verdadeiro torcedor é uma delas.
Hoje acrescentaria outra reflexão.
Também não se compra a cultura futebolística construída durante gerações.
Ela nasce em casa, nas calçadas, nos campinhos, nas conversas entre pais e filhos, nos bairros e nas derrotas.
Principalmente nas derrotas.
E talvez seja exatamente aí que esteja a maior diferença entre argentinos e muitos outros povos. Eles parecem jogar cada partida como se ainda precisassem provar alguma coisa ao mundo.
Mesmo quando já provaram tudo no futebol.
Não sei quem levantará a taça no domingo.
Torço sinceramente para que seja a Espanha.
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Imagem ilustrativa criada com Inteligência Artificial (ChatGPT/OpenAI).
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Mas, aconteça o que acontecer, uma coisa já merece reconhecimento.
Nenhuma seleção permanece tantos anos no topo apenas por talento.
Existe algo mais.
Existe organização.
Existe continuidade.
Existe liderança.
Existe um orgulho nacional que parece vestir a mesma camisa que os jogadores.
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Imagem ilustrativa criada com Inteligência Artificial (ChatGPT/OpenAI).
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E existe uma torcida que transforma cada estádio do planeta em um pequeno pedaço de Buenos Aires.
Talvez essa seja a maior lição desta Copa.
Não basta revelar craques.
É preciso formar identidade.
Porque talento ganha partidas.
Organização conquista campeonatos.
Mas somente a união entre jogadores, comissão técnica e uma torcida que jamais abandona seu time consegue construir dinastias.
E essas, definitivamente…
Também não estão à venda.
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Por Osvaldo Tetaze Maia































