Crédito: Ilustração gerada por Inteligência Artificial (ChatGPT/OpenAI).
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Por Claudio Teixeira
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Na manhã do domingo 5, quando a nação pentacampeã do mundo se preparava para o jogo Brasil x Noruega, lembrei do famoso bordão “Bota Ponta, Telê”, de um dos mais famosos personagens do nosso saudoso Jô Soares, que era o Zé da Galera, quem criticava o esquema tático do técnico Telê Santana, no Mundial de 1982. Através daquele personagem, que só aparecia na televisão, os torcedores brasileiros conseguiam mandar seus recados ao técnico da seleção brasileira.

Mas hoje, mesmo com TV e redes sociais, não conseguimos fazer com que nossos recados cheguem aos ouvidos de mercador do Ancelotti e de sua equipe. Voltando aos dias de hoje, em que, mais uma vez, o sonho do hexa fica adiado, ficou muito fácil para os comentaristas e repórteres esportivos falar mal de todo mundo, e apontar erros desse ou daquele dirigente, e até mesmo de jogadores. Como tudo deu errado, tem que se achar culpados para diminuir o sentimento de raiva de termos sido eliminados, e pelos gastos feitos com a compra do carvão, da picanha, das bebidas, etc, providenciada pra comemorar, com amigos e familiares, a vitória que todos queríamos, e passar para a próxima fase do torneio.
Precisamos reconhecer que tudo nessa seleção ja começou errado, e desde o início, vindo lá da fase de eliminatórias. A Argentina, Colômbia, Equador, Uruguai e Paraguai todos se classificaram à nossa frente. Praticamente, todo mundo ignorou este fato, como ignoramos que a passagem de diversos técnicos pela seleção não ajudou, que a CBF achava que tudo ia ser mamão com açúcar (bastaria apenas a contratação de um técnico estrangeiro renomado), e os jogadores achavam que seus nomes, vestindo a camisa canarinho, bastariam para aterrorizar os adversários. Não é mais assim que a banda toca. Por causa da maioria desses jogadores, há, pelo menos, 3 ciclos de copas que ninguém mais tem medo de jogar contra o Brasil.

Gente, mesmo não me atirando de cabeça, é claro que vinha torcendo pelo avanço de nossa seleção. Cheguei até a me entusiasmar um pouco, por termos chegado às oitavas. Mas, aqueles com quem tive a oportunidade de coversar sobre o assunto, antes mesmo de começar a Copa, ou aqueles que acompanharam minhas resenhas anteriores publicadas neste veículo de comunicação, hão de reconhecer que não me sinto surpreso por nossa eliminação.
No primeiro tempo, acho até que jogamos muito melhor que a seleção da Noruega, e cheguei a comentar, no intervalo do jogo, que merecíamos estar ganhando. Infelizmente, não estávamos conseguindo converter em gols as chances que tivemos. O pênalti perdido pelo Bruno Guimarães não faz dele o culpado pela derrota. É claro que se tivesse convertido o pênalti em gol, o ritmo do jogo poderia ter sido diferente, e a confiança teria crescido em nossa seleção, e não na seleção da Noruega. Mas meu grande ídolo Zico, também perdeu um pênalti na Copa de 1986, contra a França, quando o placar estava 1×1. E ele era um jogador muito melhor do que o Bruno Guimarães. Futebol se ganha nos detalhes, nas oportunidades que aparecem. E aquela máxima esportiva continua valendo: quem não faz, leva. Simples assim.

Há quem aponte o dedo para Ancelotti, diga que armou o time errado e que fez substituições erradas. Da mesma forma, sem querer apontá-lo como “o culpado”, também acho que armou o time de forma equivocada e mexeu mal. Foi nítida a queda de produção da seleção após as mexidas. Perdemos o meio de campo e o time se desorganizou.
Parecia que sua escalação tinha a intenção de jogar em transição, isto é, no contra-ataque. Isto é algo totalmente contrário à tradição brasileira. Aliás, já disse que Ancelotti é um técnico teimoso. E medroso, também. Tem medo de armar um time que jogue verticalmente. E é conservador como os técnicos anteriores. Tem medo de ousar, de formar uma seleção composta por mais jogadores que estão jogando bem em times brasileiros, inclusive alguns jovens que estão despontando e jogando bem. Por que essa insistência em convocar jogadores (e muitos deles desconhecidos dos torcedores brasileiros) que jogam no exterior? A maioria deles são figurinhas carimbadas, já desgastadas no Brasil, que já jogaram algumas copas e demostraram que não são uma geração de campeões.
A CBF insistiu muito em contratar um técnico estrangeiro, fazendo concessões que provavelmente não faria para um técnico brasileiro, como assinar um contrato com duração até 2030. E depois disto tudo, é isso que o Ancelotti nos entrega? A CBF fez questão de mudar pra continuar tudo na mesma, e pagando um preço bem mais alto. Às vezes esses técnicos parecem ser mais teimosos do que mulas. Que elas me perdoem por colocá-las no meio desse cenário.
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crédito Foto de [xxx]/Getty Images.
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Por fim, chegamos àqueles que realmente fazem o show: os jogadores. Achei que o time não estava tão mal no primeiro tempo. Foi pena não termos aproveitado as chances que tivemos para marcar gols. Já no segundo tempo, o time não voltou com a mesma desenvoltura. A entrada do Endrick até me deu uma leve impressão de que as coisas iriam melhorar, em especial após o espetacular passe do Vini Jr. para ele. Infelizmente, ao entrar na grande área do adversário, errou o domínio da bola e acabou chutando em cima do goleiro Nyland. Com as substituições posteriores, aí o time, de fato, desmoronou. Foi um desastre. Então, não há um culpado a ser apontado pela derrota para a Noruega, e pela decepção que foi esse time. Todos têm sua parcela de culpa, e a CBF também. Mas tirar culpados da cartola, como se fossem coelhos, não resolve o problema. Nem o fracasso atual, nem a trajetória que está por vir. Há de se fazer um melhor planejamento, melhores convocações e, por conseguinte, conscientizar o técnico, seja ele quem vier a ser, que ele não é Deus.
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Crédito: Ilustração gerada por Inteligência Artificial (ChatGPT/OpenAI).
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Apesar de minhas criticas, gostaria de registrar, aqui, o meu único reconhecimento e minha admiração pelo Vini Jr., que foi, durante todos os jogos, um incansável batalhador, e mostrou que merece, de verdade, vestir a camisa canarinho. Mostrou que ele, Vinícius Jr., foi e deverá ser o protagonista de nossa seleção. Mas precisamos urgentemente de mais outros Vinícius no time.
Enquanto isto, antevejo muita gente por aí que deveria anunciar, urgentemente, suas aposentadorias. E não digo isso como deboche. Pelé foi inteligente, e anunciou sua aposentadoria quando ainda era considerado o rei do futebol. Saiu por cima, após encerrar seu contrato com o time Cosmos, de Nova York, em 1977. Alguns dos jogadores que participaram desta Copa de 2026 ainda têm pouco tempo (não muito) pra fazer isto. Acho que não devem esperar quando alcançarem seus declínios, como fez Neymar.
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Fonte – https://pt.wikipedia.org/wiki/Neymar#/media/Ficheiro:Brazil_and_Croatia_match_at_the_FIFA_World_Cup_2014-06-12_(44).jpg
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O menino Ney é um caso a parte. Quando surgiu no Santos, eu realmente torci por ele e o admirei muito. Como alguns meninos ainda fazem até hoje. Pude assistir o inferno que representava para seus adversários quando entrava em suas respectivas áreas. Possivelmente veio desse cenário, o desejo de tantos jogadores quererem agredi-lo fisicamente, como muitos fizeram de verdade. O problema foi quando ele começou a querer se aproveitar disto e começou a cair em campo, por qualquer que fosse a disputa de bola. E depois veio o Neymar encrenqueiro, que queria discutir com todos, até com os juízes (como fez a provocação com o goleiro da Noruega, após ter cobrado aquele penalti). Se eu tivesse sido juiz de futebol, teria mostrado muitos cartões para ele, provavelmente revezando as cores. Logo em seguida veio o Neymar das contusões. Aliás, uma delas o salvou do vexame de participar daquele fatídico jogo em que perdemos de 7×1 para a Alemanha, na semifinal da copa realizada no Brasil, em pleno Mineirão, em 7 de julho de 2014.
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Fonte – https://pt.wikipedia.org/wiki/Neymar#/media/Ficheiro:Brazil_and_Croatia_match_at_the_FIFA_World_Cup_2014-06-12_(44).jpg
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Neymar anunciou sua aposentadoria logo após a desclassificação do Brasil nesta copa. Acho que fez isso tardiamente. Deveria ter anunciado sua aposentadoria muito antes. Antes mesmo de ir para o Al-Hilal. Entendo que o valor da contratação foi bastante alto, e que fivava dificil não aceitar. Mas pelo menos poderia ter feito isto logo após haver encerrado amigavelmente seu contrato com o Al-Hilal, assinado para durar dois anos. No entanto, a passagem do jogador pelo clube durou cerca de um ano e cinco meses, e durante todo esse período ele jogou muito pouco. Disputou apenas 7 partidas oficiais, marcou 1 gol e teve uma grave lesão no joelho (ruptura no ligamento cruzado anterior).

Não gosto de fazer isto (fico até meio constrangido), mas qual a relação que há entre esta seleção de 2026, e uma do passado, que tinha Marcos, Lúcio, Edmílson e Roque Júnior, Cafu e Roberto Carlos, Gilberto Silva e Kléberson, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo Fenômeno? E tinha, também, Denílson, Juninho Paulista, Kaká, Luizão e Vampeta. Estes são alguns das “feras” que formaram nossa seleção em 2002, e nos deram a alegria de conquistar o pentacampeonato, na Copa realizada no Japão e na Coreia do Sul. Todos valentes e batalhadores. Não tinham frescuras. Portanto, a relação entre as duas seleções é zero.
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Com certeza, muita gente não está de acordo comigo (coitadinha de minha mãezinha). Mas sempre fui claro em expressar minha opinião sobre esta seleção (direito que todos têm), e nunca esperei muita coisa dela, e muito menos que pudéssemos sair campeões em 2026. O jeito agora é aguardar 2030, e observar quais mudanças acontecerão, tanto com relação à direção técnica, quanto aos jogadores que vierem a ser convocados. Ainda há muita água pra passar debaixo da ponte, e muitas pedras para rolarem.
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Por Claudio Teixeira.
































