

Por Claudio Teixeira
Olá, queridas e queridos leitores do jornal Vida Brasil Texas. Para as pessoas que ainda não tiveram chance de se interarem sobre o assunto, trago, nesta edição, as novas regras implementadas no futebol brasileiro pela Confederação Brasileira de Futebol, CBF, as quais passaram a valer a partir da 23a. rodada do Brasileirão Série A, ou seja, desde o dia 15 de agosto de 2026, com a realização do jogo entre Fluminense 3 x 2 Palmeiras. E, como não poderia deixar de ser, continuo, aqui, metendo o meu nariz onde não sou chamado. Mas acho isso bom, pois é uma maneira de provocar suas opiniões sobre as novas regras. Ah, gente, e tem mais uma coisa que devo dizer a respeito desta matéria: novamente, o texto ficou longo. Mas não seria possível dar minha opinião sobre o assunto, sem ter a certeza de que quem está lendo tem conhecimento sobre as novas regras. Por isto, além de comentar, achei que seria também necessário divulgá-las. Mas leiam até o fim. Afinal, isto aqui é um bate- papo. É uma leitura fácil e direta. Em algumas vezes concordarão comigo e, em outras, não. Além do mais, reservei para o final uma informação muito boa, que possivelmente será surpresa para muita gente. Continuem lendo. Bem, vamos lá.
As novas regras visam coibir o antijogo e combater a cera no futebol, e foram aprovadas em reunião na segunda-feira, 10/08/26, pelos clubes das duas principais divisões brasileiras. Elas têm, como principal objetivo, aumentar o tempo de bola rolando. Mas há ainda um outro assunto, que não quero adiantar neste trecho do nosso bate-papo. Vou deixar, para o final, a informação e meus comentários sobre a eventual mudança de mais uma regra do futebol. A possível modificação ainda está sendo testada e avaliada pela FIFA. Mas do meu ponto de vista, se aprovada, será uma mudança muito mais importante do que todas essas novas regras abordadas aqui, e que já foram adotadas desde a última Copa, e agora estão valendo, também, no futebol brasileiro.
Vale também esclarecer, que as novas regras da CBF não se limitam apenas à Série A do Brasileirão. Serão também aplicadas a todas as divisões do Campeonato Brasileiro (Séries A, B, C e D no masculino), além da Série A1 do Brasileirão Feminino e da Copa do Brasil.
De acordo com a CBF, um estudo comparativo de tempo de bola rolando nas principais ligas do mundo e no Brasil, o Brasileirão da Série A fica à frente somente da Argentina. Vejam:
* MLS (EUA) – (2026) 57min12s de bola rolando
* Bundesliga (Alemanha) – (2026) 56min18s
* Ligue 1 (França) – 56min17s
* Premier League (Inglaterra) – 55min23s
* LaLiga (Espanha) – 55min09s
* Serie A (Itália) – 54min28s
* Brasileirão Série A – 52min54s
* Brasileirão Série B – 51min09s
* LPF Apertura (Argentina) – 50min02s
A CBF considera realista poder chegar a 57 minutos de bola rolando, com a soma da aplicação do conjunto das novas regras. Ou seja, essas novas regras permitirão alcançar até 63.33% do tempo total de 90 minutos. A CBF quer também ganhar ao menos 6 min 22 seg de tempo de bola rolando, em quatro quesitos:
* 203 segundos perdidos em média com faltas;
* 113 segundos perdidos com tempo de reposição de bola;
* 50 segundos com tempo de atendimento médico;
* 16 segundos em tempo de uso de VAR.
Não entendo como chegaram a esses cálculos, mas realmente acho muito esforço para tão pouco. Parece até piada. Vamos às novas regras:

Cinco segundos para as cobranças de laterais – Ao perceber que uma cobrança de lateral está sendo deliberadamente atrasada, o árbitro deverá soprar o apito em advertência e iniciar uma contagem regressiva visual de cinco segundos, usando os dedos da mão. Se o tempo se esgotar e o arremesso não for executado, a cobrança de lateral passará a ser feita pelo adversário.
Cinco segundos para a cobranca de tiro de meta – Da mesma forma, ao perceber que uma cobrança de tiro de meta está sendo propositalmente atrasada, ele deverá soprar o apito em advertência e iniciar uma contagem regressiva visual de cinco segundos, usando os dedos da mão. Caso o jogador não realize a cobrança dentro desse tempo, o lance será revertido em escanteio para o time adversário.
Reposição do goleiro – O goleiro agora tem até 8 segundos para repor a bola em jogo, após segurá-la nas mãos. Eventual atraso resultará em escanteio para o time adversário.
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Somente os capitães se dirigem ao árbitro – Quando houver discordância dos jogadores com algum lance que tenha sido marcado pelo árbitro, somente os capitães de ambos os times poderão se dirigir ao árbitro, para apresentar suas discordâncias ou alegações.
Dez segundos para o jogador sendo substituído sair de campo – O jogador sendo substituído terá 10 segundos para sair de campo após o quarto árbitro erguer a placa indicando a alteração. O árbitro iniciará uma contagem regressiva visual dos últimos cinco segundos, usando os dedos da mão. A exceção a esta regra se aplicará a jogador lesionado, que claramente não tenha condições de sair do campo por esforço próprio. Caso o jogador sendo substituído se atrase para sair de campo, seu substituto deverá aguardar fora de campo por um minuto após a saída de seu companheiro, ficando seu time com um jogador a menos, durante esse intervalo de tempo.
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Um minuto fora de campo, em caso de atendimento médico – Pela regra antiga, após receber atendimento médico, o jogador aguardava apenas a autorização do juiz para voltar ao jogo. Com a nova regra, será necessário aguardar pelo menos 60 segundos para voltar ao campo, deixando seu time com um jogador a menos durante esse intervalo de tempo. Caso o atendimento seja feito a um goleiro, um jogador de linha, qualquer, deverá ficar fora do campo por 1 minuto.
Lei Vini Jr. – Um jogador (ou suplente ou jogador substituído), que cobrir a boca ao se dirigir a um adversário, de forma que pareça provocativa, depreciativa ou inflamatória, deverá ser expulso pelo árbitro. Aliás, esta regra já foi utilizada logo em sua estreia, na 23a. rodada do Brasileirão. O árbitro Paulo Cesar Zanovelli da Silva expulsou Arthur Cabral, do Botafogo, por tapar a boca durante discussão com o técnico Jair Ventura, do Vitória, ao final da partida, que foi vencida pelos baianos por 1 a 0.
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Var: correção de segundo cartão amarelo e, a partir de 2027, revisão de escanteio – O VAR terá seu protocolo ampliado. Agora, além dos lances de gol, pênalti, cartão vermelho direto e erro de identificação, poderá intervir quando o árbitro aplicar, por engano, um segundo cartão amarelo que expulsaria um jogador (para mim isto parecia ser tão lógico, que nem teria necessidade de ter que virar uma nova regra). E a partir de 2027, a revisão será estendida para uma situação adicional: quando um escanteio concedido por engano resultar diretamente em gol ou pênalti (novamente, acho que isto também deveria ser feito, antes de o escanteio ser cobrado).
Considerados erros objetivos, o VAR poderá avisar diretamente à arbitragem, sem que o juiz tenha que ir ao monitor à beira do campo para interpretar o lance. Sobre essas duas regras, fico me perguntando o que os bandeirinhas estariam fazendo nos momentos de tais lances, já que ficam correndo nas linhas laterais do campo, exatamente com a função de auxiliarem o árbitro central?
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Muito bem. Essas são as novas regras. Eu gostaria, a partir daqui, de comentá-las. Não acredito que as novas regras alcançarão seus objetivos. Talvez no início, os juízes venham a observar os tempos que os jogadores levarão para executar cobranças de lateral e tiro de meta. Durante a Copa, os árbitros observaram bem essas regras. Inclusive os juízes brasileiros que nela atuaram. Mas é claro. Afinal de contas, o careca estava lá em seu cercadinho, em todos os jogos, com sua cara pomposa, observando tudo. Que árbitro deixaria de cumprir aquelas regras, naquelas circunstâncias? Ninguém se atreveria. Pode ser que em campeonatos do primeiro mundo, os árbitros continuem a observá-las e a mantê-las. Mas no Brasil? Não acredito.
Vale lembrar, que algumas dessas regras já haviam sido introduzidas no futebol brasileiro, tais como limitação de tempo para as cobranças de lateral, e também para a reposição de bola pelo goleiro. Outra regra que já havia sido introduzida, diz respeito à comunicação com o árbitro, a qual deveria ser feita apenas pelos capitães dos times, etc. No princípio, todos os juízes adotaram essa postura. Passado algum tempo, poucos são os juízes que continuam a observar tais regras. Aliás, muito pouco deles. E o que temos visto nas partidas recentes de futebol? É comum a cena de haver 4, 5 ou 6 jogadores encurralando o juiz por alguma coisa que tenha marcado ou que tenha deixado de marcar, parecendo, em muitas ocasiões, que irão agredi-lo fisicamente. Com relação à cobrança de laterais, pouquíssimos árbitros observam o tempo que levam para fazer a cobrança, e em diversas cobranças, nem exigem que sejam cobradas realmente dos locais de saída de bola. Como sabemos, muitos jogadores (senão a maioria) fazem cara de paisagem e avançam adiante por 3 a 5 metros do local onde a bola saiu, para fazer a cobrança de lateral.
E o que dizer dos atendimentos médicos? Ora, ora, esses atendimentos costumam levar, pelo menos, dois minutos. Em muitos casos (senão a maioria deles), costumam se estender para além dos dois minutos, tempo esse que normalmente não são integralmente incluídos nos tempos adicionais. Esse tempo de atendimento médico é tolerado ainda mais pelos árbitros, quando se trata dos goleiros. Isto porque não é possível reiniciar a partida sem que o goleiro se sinta recuperado. Que cera boa essa, não é mesmo?
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Até que, ultimamente, durante as substituições, os jogadores têm saído de campo com maior rapidez. Mas a imagem que mais me vêm à cabeça, quando penso nos momentos de substituições, são os sinais de positivo que fazem com o polegar para seus companheiros dentro de campo, e as palminhas de agradecimento (e a respectiva voltinha de corpo) para sua torcida ao redor do estádio. Bem, a punição para quem demorar a cobrar um lateral (reversão da cobrança), bem como para a reposição demorada de bola pelo goleiro (a qual resulta em escanteio para o adversário) até que são boas. Tratam-se, mesmo, de punições que talvez os times não estejam dispostos a correr tais riscos. Mas e daí?

Essas punições resultarão em mais tempo de bola em jogo? Claro que não. Uma providência muito boa, tomada recentemente pela FIFA, foi a adoção de bolas antepostas ao longo das linhas literais. Esta medida acabou, definitivamente, com a cera que era produzida não por abelhas, mas pelos gandulas, que atrasavam propositalmente a entrega de bola para as cobranças de lateral, sempre que esta atitude beneficiasse, de alguma forma, o time da casa.
Da mesma forma, a tal punição para que um jogador fique um minuto fora de campo, nos casos de atendimento médico ou de substituições, também não irá alcançar o objetivo de maior tempo de bola rolando. Nestes dois casos, principalmente o de atendimento médico, o tempo exigido para tal ocorrência é muito maior do que um minuto. Então acho que valerá a pena ganhar de 3 a 4 minutos de cera, por um minuto de seu jogador de fora de campo. A troca de um tempo pelo outro compensa.

Temos ainda uma outra situação, em que não há qualquer previsão de limitação de tempo ou de punição: a comemoração de gol. Ah, que beleza! Saltar as placas de anúncios e ir até bem pertinho da torcida e mandar beijos, e na volta ao campo, o jogador que marcou o gol, ser abraçado por seus companheiros, pelo técnico e sua equipe, pelos jogadores reservas, pelo mascote do time, etc, etc. Não tenho nada contra esta comemoração. O prazer e a alegria são fundamentais e grandes demais, e a comemoração deve ser feita, sim. Mas, de novo, nada disso aumenta o tempo de bola rolando. Principalmente nos jogos onde são aplicadas goleadas elásticas. Ai, então, temos ainda mais tempo de bola parada.
Olha, gente, o que eu gostaria mesmo de chamar a atenção é que, ainda que tudo funcionasse direitinho, conforme o desejo da CBF, o tempo de bola rolando seria aumentado em míseros 4 minutos e 6 segundos (cálculo: 57 minutos, que é o tempo de bola rolando pretendido pela CBF, menos os 52min 54s de tempo atual de bola rolando na Série A). Acho que é muito esforço para pouco resultado.
Sobre tal objetivo pretentido pela CBF, pude constatar, navegando pelos caminhos da Internet, que a imensa maioria dos amantes e torcedores do futebol, desejaria uma única e simples mudança, que garantiria um total de 60 minutos de tempo de bola rolando durante um jogo. E nem seriam necessários aqueles tradicionais minutos extras (que normalmente resultam em tempo adicional muito menor do que o tempo real de interrupção durante o jogo). A solução seria a paralisação do cronômetro (o qual seria exibido no placar do estádio e controlado pelo VAR ou por quem de direito), durante os momentos em que o jogo viesse a ser interrompido, a exemplo do que ocorre em outros esportes, como o basquete, o futebol americano, o futsal e o handebol.
É claro que as redes de TV que transmitem jogos de futebol, principalmente as TVs abertas, que têm uma programação repetitiva e, em sua maioria, chata, iriam protestar e fazer todo lobby possivel para que a FIFA não viesse a aprovar tal mudança. Mas não posso deixar de observar que uma alteração dessa seria totalmente em benefício do futebol. Por outro lado, o futebol não deve ficar refém dos horários das redes de TV (o que já foi muito pior em passado recente, quando a rede Globo monopolizava a transmissão desse esporte). As redes de TV que continuassem interessadas em transmitir as partidas de futebol, teriam que adaptar o horário sua programação a esta realidade, como fazem as redes de TV (em especial as norte-americanas) que transmitem jogos de basquete e de futebol americano.

Estou totalmente de acordo com a sugestão dada pela maioria dos amantes do futebol. Acho, assim, que trinta minutos de bola rolando, em cada tempo de jogo, seria o ideal.
Ah, essa não, vocês devem estar pensando. Mas vejam: a realidade nos mostra que, dos 90 minutos previstos para cada partida, apenas 57minutos e 12 segundos, no máximo, são realmente de bola rolando. Com a proposta de parada do cronômetro, além da certeza de 60 minutos de bola rolando, os árbitros não iriam mais, neste sentido, se sentirem pressionados pelos times e pelas torcidas, e também não precisariam mais ficar mentindo para os jogadores, para o público presente e para as câmeras de TV, ao apontar para seus cronômetros, indicando que “estão contando o tempo de bola parada”. Que maravilha seria. O que vocês pensam disso?
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Impedimento semiautomático, da Fifa – Divulgação / Fifa
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Alteração na regra do impedimento – Por último (e esta, sim, uma notícia maravilhosa), gostaria de comentar que a FIFA está realizando testes práticos de uma alteração importante na regra do impedimento, designada como a regra da “luz do dia”. No conceito desta regra, o atacante só estará impedido se o seu corpo inteiro estiver completamente à frente do penúltimo defensor, deixando um espaço claro entre eles (“luz”). Ou seja, o lance será considerado válido, se qualquer parte do corpo do atacante, que sirva para fazer gol, estiver na mesma linha ou um pouco à frente do último defensor de linha, desde que não haja uma separação visivel entre os dois corpos.
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Isto acabaria com os impedimentos milimétricos (por ponta de chuteira ou ombro) e viria a beneficiar o futebol ofensivo. A International Football Association Board (IFAB) autorizou testes práticos desta regra em ligas específicas, como na Premier League Canadense. A regra tradicional continuará em vigor nas principais ligas do mundo e torneios oficiais, até que a FIFA analise os resultados dos testes e decida sobre uma eventual aprovação definitiva.
Tomara que esta regra venha a ser aprovada. Acho ridícula a atual regra de impedimento. Em toda minha vida, nunca assisti a um jogo de futebol onde houvesse ombros ou cotovelos correndo pelo campo. É ridículo marcar um impedimento por ter um ombro, ou um cotovelo, ou mesmo a ponta de uma chuteira, à frente do último defensor de linha do time adversário.
Sempre achei que o impedimento deveria ser marcado considerando outras situações. Por exemplo, quando o pé de apoio do atacante estivesse, em princípio, além de 30 centímetros do pé de apoio do último defensor de linha do time adversário. Pra dizer a verdade, acho que a regra de impedimento nem deveria existir. Acho que cada time é que deveria ficar de olho no atacante do time adversário. Como acontece na vida real de todos nós. O que vocês acham? Bem, fico por aqui.
Até a próxima, gente.
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Por Claudio Teixeira
































